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Jacques Dequeker, o fotógrafo das tops

Quando Jacques Dequeker se apaixonou pela fotografia era professor de boxe e estava a beira dos trinta anos. Hoje, aos 40, ele é um dos profissionais mais requisitados da moda brasileira e se considera um fotógrafo experimental. Seu primeiro trabalho em carreira solo foi para a edição nacional da Revista Vogue. Sorte de principiante? “Sim”. Chance dada, era preciso correr contra o tempo perdido e se entregar a descoberta tardia. Em entrevista ele conta como fez para chegar até aqui.

 

Jacques Dequeker 01

 

Jacques, seu começo na fotografia difere do rumo tradicional dos outros fotógrafos, que em geral começam como fotojornalistas. Como era sua vida antes de se tornar fotógrafo?
Eu dava aulas de boxe a noite e comecei a fazer assistência durante o dia para ajudar na minha renda mensal. Isto em Porto Alegre, meados de 1997. Em 98 venho para São Paulo trabalhar como assistente, e assim foi até julho de 2000, quando proclamei independência e me tornei ” fotógrafo “.  Aí foi minha primeira Vogue.

Por que fotografia?
Foi amor a primeira vista. A câmera era o meu pincel e o mundo minha tela.

 

Jacques Dequeker 02

 

Você tinha ídolos na fotografia quando começou?
Eu era leigo na fotografia. Não sabia nome de fotógrafos e nem modelos. Antes do meu primeiro trabalho como assistente sabia nome de algumas revistas e ouvia falar de JR Duran e Bob Wolfenson. Depois comecei a estudar e em pouco tempo já se sabe o nome de todos o tops como Gui Paganini, Paulo Vainer e outros fotógrafos de moda.

E agora? Tem fotógrafos cujo trabalhos são referências para você?
Hoje penso muito mais em artistas do que em fotógrafos, mas, entre os atuais, Steven Meisel é o cara. Entre os mais antigos meus ícones são: Irvin Penn, Helmut Newton, David Bailey, Avedon e Horst .

 

Jacques Dequeker 03

 

Por que a fotografia de moda?
Na moda o objetivo é criar, e isto era o que fascinava.

E como foi seu caminho para encontrar um lugar ao sol no mercado de moda?
Quando comecei eu tinha alguns amigos que trabalhavam com moda. Na verdade tive muita sorte. Primeiro, por assistir fotógrafos renomados como Pedro Flores, Paulo Vainer, Enio Berwanger, Mauricio Nahas e Jairo Goldflus. Além de ter contato com o maquiador Duda Molinos, e fui conhecendo os melhores profissionais do mercado. Segundo, eu esta determinado e sabia o que queria. E terceiro, a Vogue que me projetou para o mercado já em meu primeiro trabalho como profissional. Depois disto comecei a fazer o que eu acreditava e sempre confiei em meu instinto. Copiar não é preciso!

 

Jacques Dequeker 04

Em uma das poucas entrevistas que encontrei com você na internet, li que está: “Às vésperas de iniciar um projeto inovador na fotografia nacional”, que projeto é esse? Como vai funcionar? Quem vai participar?
Quero fazer uma revista eletrônica para lançar desconhecidos ao mercado de moda. Mas há dois anos me associei ao Marcos Mello e montamos uma produtora especializada em filmes de moda, a Cavallaria. Depois disso não sobrou mais tempo para nada. Adiei este projeto, mas já está todo encaminhado. Aparecendo uma folga será lançado. Um livro também está em estudo.

E os vídeos, como está se adaptando?
Fotografo e filmo ao mesmo tempo. Penso primeiro no filme- cenas , luzes , movimentos de câmera. Depois a foto sai naturalmente disto tudo.

Você é conhecido por seu trabalho em moda e beleza. Tem vontade de desenvolver um trabalho autoral?
Tenho alguns trabalhos não comercias. Sou embaixador artístico da Sea Shepherd. Eu viajo pelo mundo com minha mulher para mergulhar com tubarões, fotografo e dôo as fotos para a ONG. O objetivo é proteger estes animais que são mortos aos milhares no Brasil e pelo mundo para virar sopa. Surfo desde os 15 anos, os tubarões eram meu maior medo, mas conhecendo mais sobre eles vi que não são os monstros que aprendemos. Participei da Bienal de Roma com fotos de tubarões, e ganhei o segundo lugar. Tento fazer minha parte para salvar os oceanos.

 

Jacques Dequeker 06

Como é sua relação com os seus colegas de profissão? Costuma dar palestras e workshops?
Recebo muitos convites para palestras e cursos, mas não tenho tempo. Além do mais, sou um fotógrafo experimental, quase um subversivo da técnica e padrões da fotografia. Não sei se seria compreendido. A minha busca pelo novo vai na contra-mão de tudo que aprendi enquanto assistente. Mas quem sabe um dia.

E que técnicas gosta de explorar?
Me considero um fotógrafo experimental. Fui o primeiro a trazer de volta a fotografia 3D. Não tenho medo de arriscar. Antes pensava um dia antes o que eu faria nos trabalhos. Hoje, muitas vezes, invento na hora.

 

Jacques Dequeker 07

E o boxe?
O boxe foi sempre muito importante na minha vida. Meu deu disciplina e determinação. Comecei aos 14 com o boxe e 16 o full contact. Me tornei faixa preta aos 25 e se não fosse a fotografia estaria dentro de uma academia lutando. Tenho uma pequena academia em casa e virou meu momento de relaxamento, estou construindo uma maior e quero me dedicar mais a luta.

Por Laura Artigas Parati em Foco

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